Notícias

Escritor lourenciano é semifinalista do Prêmio Jabuti 2026

O escritor lourenciano Lucas Ortolan, de 31 anos, está entre os dez semifinalistas da 68ª edição do Prêmio Jabuti, uma das principais premiações literárias do Brasil. O autor foi selecionado no eixo Literatura, na categoria Escritor Estreante – Poesia, com o livro Tudo Existe para Desaparecer, Urutau.

Promovido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o Prêmio Jabuti divulgou os dez semifinalistas de cada uma das categorias da edição de 2026. A próxima etapa da premiação será anunciada em 14 de outubro, quando serão conhecidos os cinco finalistas de cada categoria.

A cerimônia de premiação está marcada para 27 de outubro, na Sala São Paulo, na capital paulista, ocasião em que serão anunciados os vencedores.

Nesta edição, o Prêmio Jabuti também apresenta uma mudança na disputa pelo Livro do Ano, principal distinção da premiação. A partir de 2026, obras inscritas nas categorias Escritor Estreante – Poesia e Escritor Estreante – Romance também passam a concorrer ao título.

Além da estatueta e do prêmio de R$ 70 mil, o vencedor do Livro do Ano poderá escolher participar de uma das principais feiras internacionais do livro — Londres, Bolonha, Frankfurt ou Guadalajara — com despesas custeadas pela CBL, além de contar com uma programação de palestras e encontros profissionais durante o evento.

Os vencedores das 23 categorias recebem a estatueta do Prêmio Jabuti e um prêmio de R$ 5 mil.

Um livro sobre tempo, memória e finitude

Tudo Existe para Desaparecer é o livro de estreia de Lucas Ortolan na poesia. Natural de São Lourenço do Oeste SC, o autor reuniu na obra poemas escritos entre 2018 e 2024.

Os textos transitam entre situações ordinárias do cotidiano e questões de dimensão filosófica e existencial. Tempo, impermanência, memória, esquecimento, desejo de continuidade, morte e a natureza ilusória da realidade estão entre os temas explorados pelo poeta.

O título da obra foi inspirado no pensamento do filósofo e diplomata francês Henri Bergson (1859-1941), cuja filosofia aborda a realidade como um fluxo contínuo de mudança e criação.

No livro, Ortolan parte dessa reflexão para investigar a efemeridade e a transformação daquilo que existe. No poema O relógio, por exemplo, a passagem do tempo aparece associada a acontecimentos aparentemente banais do cotidiano:

E os estalos estalam e estalam
E as tesouras de madeira do telhado conversam
E o celular exclama uma mensagem
E os pássaros voam por cima da casa
E os estalam, estalos e estalos
E os estamos, estavam e estavam
E o relógio pendurado mais parece
um buraco onde a vista cai e se perde.

São sete e dez, sete e dez em ponto.
E tudo que está, se mexe e geme
E tudo em que às sete e dez está,
às sete em ponto estava... Mas onde?

(Trecho de “O relógio”, p. 67)

O próprio autor observa que o título do livro não traduz de maneira exata a concepção de Bergson. Para o filósofo, as coisas não simplesmente desaparecem, mas estão em permanente transformação, deixando de ser uma coisa para se tornarem outra.

A inspiração para o título veio de uma fala do professor Franklin Leopoldo e Silva sobre a filosofia de Bergson:

“Bergson nos adverte de uma coisa muito óbvia, que, no entanto, nós nos esquecemos, é a que o tempo passa, e essa passagem do tempo nos afeta. Nós somos criaturas que vivemos para desaparecer. Mas não somos só nós. Como tudo está subordinado ao tempo, tudo existe para desaparecer.”

A ilusão e o fazer poético

Outro eixo presente na obra é a reflexão sobre a ideia de “eu” e sobre as ficções construídas pela humanidade para interpretar a realidade. A abordagem parte de uma perspectiva cética e filosófica.

No poema Tudo foi ficção, o autor explora justamente a distância entre aquilo que existe e aquilo que os seres humanos projetam sobre o mundo:

E a essência do que existe está aqui,
em todo canto.
Mas tudo que vejo é aparência.
A superfície do encanto.
A ficção projetada sobre a matéria.
A cura para a razão.
O pensamento mágico que deforma o universo.
O trágico consolo da euforia.
A cicuta como remédio.
A ingênua alegria.

A ilusão humana assenhora-se do mundo
como o incêndio no verão que avança sobre
os edifícios e ínsulas da antiga Roma,
deixando para trás as cinzas da história
que ocultam do tempo a vastidão.

E a vasta imaginação que, como tudo, é ilusão,
é também combustível e foco de ignição
para o fogo que distorce aquilo que existe.

(Trecho de “Tudo foi ficção”, p. 114)

A própria literatura também é objeto de reflexão. Poemas como Folhas inúteis, O corpo sem texto, Antipoema e Palavras mortas abordam o ato de escrever e a relação do autor com a linguagem.

Em Palavras mortas, Ortolan questiona a própria autoria e a origem das palavras:

Penso, penso no que penso, mas
meus pensamentos não são meus.
Minhas palavras não são minhas.
São palavras de outros que
reduzem de mim o que penso
em qualquer coisa sem autoria.

(Trecho de “Palavras mortas”, p. 88)

Ao longo da obra, também permanece uma reflexão sobre a finitude. A certeza da morte aparece não apenas como tema, mas como uma condição a partir da qual o autor questiona o sentido da existência. Nesse sentido, a consciência da própria finitude pode ser entendida como parte da construção de significado para a vida.

Do primeiro livro à indicação ao Jabuti

A seleção para o Prêmio Jabuti ocorre no primeiro livro de poesia publicado por Lucas Ortolan. A obra reúne poemas produzidos ao longo de seis anos e marca uma etapa importante na trajetória literária do escritor, que já participava de iniciativas ligadas à poesia antes da publicação do livro.

Ortolan integra, desde 2021, a equipe de poetas do portal Fazia Poesia. Sua estreia no portal ocorreu com o poema Tudo é até não ser ou a terrena comédia, posteriormente publicado no livro com o título A terrena comédia.

Além da atuação na literatura, o escritor é formado em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda, pela FADEP, em Pato Branco (PR), e trabalha como designer gráfico há mais de uma década.

Natural de São Lourenço do Oeste, Lucas Ortolan agora aguarda a próxima etapa do Prêmio Jabuti. No dia 14 de outubro serão conhecidos os cinco finalistas de cada categoria. Os vencedores serão anunciados durante a cerimônia marcada para 27 de outubro, na Sala São Paulo.

Data de publicação:
Fonte: ICSL - Assessoria de Comunicação


» Confira mais fotos desta notícia